toda pessoa é um processo que nunca para




Me chamo Amanda Líria, tenho 26 anos e moro em São Paulo. Passei boa parte da minha vida tentando me conhecer, saber quem realmente sou e o que vim fazer nesse mundo. Todas as tentativas foram falhas. Não sei quem eu sou e nem o que vim fazer aqui, mas, uma coisa eu sei: não posso desistir. Não agora. Já se passou tanto tempo, não posso entregar os pontos e desistir. Semana passada procurei um psicólogo, para tentar aliviar a agitação que sinto dentro de mim e que me impede de seguir. Chegou a hora de sair da escuridão e enfrentar tudo de cabeça erguida. Nesses meus 26 anos de vida, passei por momentos muito difíceis. A minha relação com meu pai, a morte da minha mãe, o envolvimento com as drogas, com a bebida, entre outras coisas. O motivo principal de tudo isso, foi o meu pai, o jeito dele me tratar e sua falta de interesse. Eu queria tanto que ele se importasse comigo, que passei a fazer as coisas que ele fazia(continua fazendo), como beber e fumar. Nasci de parto prematuro, fiquei por meses em uma encubadora, até sair e ir pra “casa”. Minha mãe precisava trabalhar muito, para poder comprar leite especial para eu tomar e me dar tudo do bom e do melhor. Enquanto isso, meu pai gastava o dinheiro todo em bebida e não ajudava em nada. Quando eu tinha 2 anos, minha mãe se separou dele, porque ele chegou em casa bêbado e só de cueca. Ele bebeu tanto, que acabou dormindo no banco de uma praça e foi assaltado. Logo depois da separação, minha mãe se apaixonou por um colega de trabalho e foi viver com ele. Hoje é ele quem eu chamo de pai e que me ajuda em algumas situações. Apesar dele me ajudar financeiramente, e nunca me deixar faltar nada, eu sinto falta de carinho. O carinho que sempre quis ter, mas nunca tive. Nem dele e nem do meu pai biológico. Eu sempre tive o carinho da minha mãe, só que para mim não era suficiente. Eu precisava de um abraço de pai. Queria receber um a ligação, um convite para ir ao parque ou no cinema. Nunca recebi. Minha infância e adolescência, foram em torno de querer chamar atenção, para que meu pai me notasse e mostrasse interesse. Só que ao invés de aproximar, eu o afastei, mais do que ele já era afastado de mim. Hoje sei poucas noticias sobre ele, mesmo morando próximos um do outro. Depois da morte da minha mãe, achei que fossemos nos aproximar, que ele fosse se tornar um pai presente e atencioso. Estava mais uma vez enganada."
A vida de Amanda Líria - Continua.  
Postado 27, setembro 2015.
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